segunda-feira, 11 de março de 2013

''Porque eu sei que é amor...''

Não é engraçado quando você fala sobre amor para as pessoas e elas dizem algo do tipo ''nossa, mas você nem sabe o que o que é isso ainda'', como assim? Como não sei, se quando eu nasci, antes mesmo de saber andar, falar ou pedir alguma coisa, eu chorava pelo colo da minha mãe porque eu só me sentia bem com ela? Ou quando eu queria dormir na mesma cama que minha avó, por ter medo do escuro, medo de um filme que assisti ou apenas por querer ficar perto. Eu me lembro de fazer tudo pra agradar minha irmã e brigar com quem quer que fosse pra defendê-la. Desde pequena até hoje, sei da importância dos meus amigos pra mim, sei que faria e faço qualquer coisa para vê-los bem, sei que os quero do meu lado apesar de tudo. E isso tudo, o que mais pode ser senão amor? E quando eu acordo todos os dias na intenção de fazer algo que me agrade e não deixar que coisas fúteis me atinjam ou me desanimem. Quando eu não sigo a diante com uma ideia porque sei que mais pra frente não vai me fazer bem. Quando eu, mesmo sabendo que vou sentir falta, me afasto de alguém que não está me acrescentando nada, isso é o que, senão amor próprio? Amor pela pessoa que eu to construindo, amor pela pessoa que eu pretendo ser.  Não existe algo mais triste do que ouvir uma pessoa que não viveu nem metade da vida ainda, dizer que não acredita no amor ou que ele não existe. Ora, amor raramente acontece entre um menino e uma menina que mal sabem o que querem pra si, amor é quando seus pais te perdoam mesmo você dando a mesma mancada milhões de vezes seguidas, amor é ter seus amigos do seu lado mesmo quando, muitas vezes, você nem merecia ter eles ali. E claro, quando você certamente acredita no seu deus, seja ele qual for, você sabe que ele te ama certo? Sei que é meio clichê falar que o amor é essencial, mas é a mais pura verdade.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Lembranças

Sabe quando você está num lugar completamente comum pensando nos seus compromissos e está atrasado e com muita pressa? Ou quando está  pensando em todas as coisas que você tem que fazer?  E então do nada você sente um cheiro que já sentiu antes, isso acontece? E esse cheiro faz você lembrar um momento que marcou sua vida, e que não voltará mais. Às vezes isso acontece comigo. Numa cena qualquer a gente olha, a gente pensa. Pensa em nada, pensa em tudo. Só pensa. A gente recorda, a gente grava, a gente substitui… Velhos cheiros, velhas imagens, velhos toques e quer saber? De velho, quem não quer saber sou eu. Reviver as vidas antigas, amar os amores antigos, dizer as palavras já ditas. Como num vinil riscado, onde o gramofone apenas repete… E repete e repete e repete. Alcancei um ponto no qual conclui que quem olha pra trás tropeça no que está bem à frente. Embora relembrar seja natural, o que me faz mal é que eu não sei separar as lembranças, escolher entre ter as boas ou as ruins. O pior é quando a lembrança boa machuca, a lembrança boa trás saudade, trás culpa. Culpa em saber que poderia ter sido diferente, mas simplesmente, não foi. Nunca foi. As lembranças são o que de melhor carrego em mim, carrego de mim. Lembranças fúteis, lembranças importantes, lembranças assustadoras. Por muito tempo ainda vou me lembrar de como eu sempre esqueço de fechar a porta do armarinho antes de levantar a cabeça na pia, do mesmo modo como eu sempre vou me lembrar do quanto eu desejava o abraço de um certo alguém, eu sempre vou me lembrar do quanto eu fui feliz ao lado de certas pessoas. Lembranças têm tamanhos e pesos diferentes, mas sempre a mesma importância.  Acho que se a nossa memória grava algo é porque, em algum momento, aquilo nos será necessário. Às vezes para nos fazer rir ou às vezes nos fará chorar, mas sabe, elas não fazem isso de propósito. As lembranças vêm nas melhores das intenções. Elas vêm pra nos mostrar o quanto valeu a pena cada passo dado, cada passo errado.  Lembranças são sempre boas, ruim é não ter nada importante pra guardar.

domingo, 11 de novembro de 2012

Isso e aquilo também passa

Sabe quando dizem que tudo passa? Isso é a mais pura verdade, uma verdade bipolar, às vezes é boa e às vezes é ruim. Quando estamos tristes, por exemplo, é confortante ouvir que tudo aquilo uma hora vai passar, que essa tristeza é momentânea e logo acabará. Mas e quando estamos felizes? Quando estamos nos divertindo ou conversando com alguém que a gente gosta, esse tempo de poucas responsabilidades, de ter os amigos por perto o tempo todo ou na maioria dele. Não é meio desanimador pensar que isso, infelizmente, também passa? Porque vai passar, a gente sabe que vai. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? Quando criança a gente quer, no mínimo, dominar o mundo, a gente tem um sonho, um plano. Ah que ironia, agora que tenho a chance de fazê-lo não tenho coragem nem de sair de casa mais. O futuro me assusta, o mundo me assusta. Porque é isso, se dar bem na vida ou ser um completo fracassado, não existe meio termo. E talvez seja mesmo questão de escolha como dizem, mas e se não for? E se nascemos pré-destinados a ser ou não ser algo, e se na verdade nosso caminho já está traçado e por mais que a gente escolha entre esquerda ou direita vamos acabar no mesmo lugar, aquele que nos foi escolhido. E se, e se? 

sábado, 3 de novembro de 2012

Raivosas reticencias

Eu fico com muita raiva de mim por não conseguir ter raiva de certas coisas e colocar um ponto final. As situações me marcam tanto que eu não consigo acabar de vez, sempre ficam aquelas malditas reticências. Eu tenho raiva de não conseguir controlar meu sentimento, tenho raiva de não conseguir parar de pensar, tenho raiva de querer e achar que não vale a pena, mas no fundo, bem no fundo, achar que vale. Às vezes eu tenho raiva de ser intensa e sensível demais e não conseguir e nem querer apagar as pessoas da minha vida. Raiva dessas vozes na minha cabeça, cada uma me dizendo o que eu devo fazer, e assim eu não consigo ouvir o que EU quero fazer. Mas o que mais me deixa com raiva é isso, ler essas palavras do começo até aqui e pensar no grande exagero que eu sou, no drama desnecessário que eu transformo as coisas. Exijo das pessoas o que nem eu mesma dou a elas e nem sei se estaria pronta para receber de todas elas, a metade do que eu planejei na minha cabeça. É até covardia querer trazer alguém pra esse mundo confuso, pra essa rotina bagunçada. Eu sou instantes, atravesso a linha do amor ao ódio em questão de minutos. As vezes nem eu suporto ser eu.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Começo do começo

Sabe aquela ansiedade pré-aniversário? Aquele frio na barriga esperando pelo dia que é seu, que te faz especial de certo modo, que (quase) todos vão lembrar de ti? Pois é, tudo isso já foi maior, já fez muita diferença. Gostava da época que tudo que me preocupava era quantos presentes ganharia, quantos amigos viriam na minha festa e todas essas coisinhas que tornavam meu mundo mágico de criança muito mais interessante. Agora paro pra pensar, será que to velha demais pra isso? Será que está tudo perdendo o encanto? Ter 16, 17 anos é engraçado, tudo é um exagero. Um oi mal dado, um abraço mais frouxo, uma mensagem não respondida, é como se fosse o fim do mundo. Mas é ai que tá, o que fazer então? QUEM ser? Se é velho demais pra certas coisas e ao mesmo tempo novo demais para outras tantas. A gente fica meio perdido, meio fora do lugar e acho que é exatamente isso. Deixar de ser criança e passar para a ‘’fase adulta’’ é buscar seu lugar no mundo, achar um jeito de fazer as pessoas te notarem, notarem que você é alguém diferente do que foi um dia, mesmo que esse dia tenha sido ontem ou mês passado. Às vezes me pergunto se já obtive essas experiências de vida das quais tanto falam, será que já vivi o suficiente pra isso? O que exatamente eu terei de passar pra ser uma pessoa experiente? Conversando com pessoas mais velhas, ouvindo tantas historias parece que não vivi quase nada ainda e isso me da vontade de fazer milhões de coisas de uma vez, abraçar o mundo como se eu não pudesse deixar escapar nada, não pudesse deixar nenhum detalhe passar despercebido e ao mesmo tempo quero apenas ficar deitada no sofá, agarrada com meu livro e afundada em um monte de almofadas. A única coisa que fica martelando na minha cabeça é como vou começar uma historia pros meus filhos e netos, como vou continuar a clássica frase na minha época... ’’. Quero ter algo interessante pra contar pra eles. Bom, talvez meus netos gostem de ouvir isso, ouvir que passei metade dos meus dias fazendo exatamente nada, vivendo mais tempo num mundo escrito por outra pessoa do que no meu próprio mundo. Tantas coisas passam na minha cabeça ao mesmo tempo, tantas ideias piscam como um flash e depois somem, mas afinal que tipo de pessoa madura eu quero ser, se nem ao menos sei terminar um texto mais?

domingo, 14 de outubro de 2012

É só isso, ou tudo isso

Gosto de ouvir as pessoas falando delas mesmas, acho engraçado, acho bonito. Admiro quem consegue falar de si porque eu mesma, sinceramente, não sei falar de mim. Acho que é porque, acredite se quiser, não convivo comigo. A Andréa que deveria estar aqui dentro todos os dias fica dando voltas por ai, querendo saber mais sobre as outras pessoas do que sobre mim, pode isso? O pouco que sei é que gosto de molhar os pés ou as mãos em água gelada em dias de calor, lavar o rosto depois de passar o dia fora de casa, cheiro de lençol limpo, pentear os cabelos, a luz que entra no meu quarto às seis da manhã, primeiro beijo depois de ficar muito tempo distante, telefonemas inesperados de madrugada, receber cartas, ouvir uma música que me faz lembrar um momento bom da minha vida, jogar fora coisas inúteis que só ocupam espaço no armário, ajudar algum animal de rua, conversar com pessoas idosas, receber sorrisos de desconhecidos na rua, reencontrar um velho amigo e perceber que tudo continua igual, tomar água depois de ter comido algo muito doce, abraçar minha mãe, ler algum livro ou artigo de alguma coisa interessante, dar risada de vídeos idiotas do youtube, cantar músicas extremamente bregas com minhas amigas, rir de mim mesma, aprender com meus erros, aprender que mesmo que eu tenha acertado uma vez não quer dizer que estou fazendo tudo certo...  Acho que é só isso, ou tudo isso. Tem dias que acordo me amando simplesmente por ser eu, já outros dias evito até me olha no espelho, pois não me suporto. E tudo isso faz parte, não é mesmo? Essa eterna relação de amor e ódio comigo mesma, com meus pensamentos e com o jeito como encaro as coisas. Minha única certeza na verdade é que me esforço para me agradar, e acho que isso já é o suficiente. Só não entendo a necessidade das pessoas de ficar o tempo todo me perguntando se sou feliz. Se querem saber, não eu não sou, mas não me leve a mal: eu também não sou infeliz. Eu simplesmente me sinto muito vazia a maior parte do tempo. Meio inútil. Provavelmente porque eu sou muito precoce e sempre tivesse que correr ao invés de caminhar - metaforicamente falando - e sempre estar pensando em tudo antes de fazer, de falar. Sempre tive que me provar o tempo todo e pra todo mundo, e isso cansa. Cansa e suga muito de ti. Eu gosto, mas eu estou um pouco cansada. Eu sinto como se me faltasse algo. Eu literalmente sinto como se eu fosse vazia e faltasse alguma coisa. Eu só não sei o que é. Às vezes eu tenho medo que eu tenha, sei lá, "quebrado" por causa de todas as coisas que já me aconteceram. Eu vejo tanta gente que passou por muito menos do que eu que enlouqueceu - literalmente! - e eu fico pensando se eu também enlouqueci, só que não sei disso ainda. Afinal, como é que se sabe que você tá louco? Será que os loucos sabem que são loucos ou eles são como eu, que acham que estão perfeitamente sãos e que o problema está nos outros? Eu não me sinto mal. Eu gosto de mim, gosto da minha vida. Mas às vezes eu penso demais sobre as coisas e fico mal, eu fico triste porque eu sei que eu nunca vou recuperar certas amizades e certas relações, por mais que eu quisesse. Eu sei que provavelmente nunca vou ser amada por ninguém tanto quanto eu amo as pessoas. Eu sei que as pessoas nunca vão entender que eu não faço as coisas por maldade, e sim porque eu não sei ser de outro jeito. Eu sei que as pessoas sempre vão me ver como a problemática, a arrogante, a que se acha superior aos outros, e talvez algumas delas estejam até certas quanto a isso. Talvez eu seja uma pessoa ruim. Eu só não acho que eu me conheça direito. Acho que eu tenho que me conhecer melhor. Ser deixada um pouco sozinha. Preciso de gente que entenda que minha mente realmente não acompanha o passo cordial e lento das outras pessoas. Eu preciso de alguém que entenda que a minha vida só é minha vida se eu conseguir fugir da realidade, seja escrevendo, seja na minha cabeça. Eu preciso de gente que entenda o que eu digo. Eu preciso ter mais certeza de que eu não vou cometer com meus amigos e meus filhos os erros que cometeram comigo, e, principalmente, que não deixarei que cometam com eles. Eu tenho medo de falhar em tudo que eu quero. As pessoas ao meu redor não conseguem se segurar a mim e irem junto comigo. Sou meio sozinha. Não posso reclamar. Não sou infeliz. Só não sou completa; e pra mim, não ser completa e não ser feliz são sinônimos. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ah, borboleta...


Era a lagarta mais linda que eu já vi, era especialmente única, diferente das outras. Às vezes enquanto cuidava do jardim, esticava a mão e ela subia em meu dedo dando-me a chance de me aproximar dela e eu gostava disso, mesmo que fossem por alguns segundos apenas. Um dia, enfim, fechou-se em seu casulo sem me dizer nada, sem me explicar nada, e não que devesse porque eu sabia que isso aconteceria uma hora ou outra. Eu apenas ficava la, de fora, de longe guardando-a para que nada de ruim lhe acontecesse, para que nenhum mal feito a atingisse. Dei seu tempo, para que saísse do casulo quando se sentisse a vontade pra isso, deixei que dividisse comigo o que achava que era preciso. Dias se passaram e então, la estava ela, já era uma borboleta e como não poderia ser diferente era a mais linda entre as outras. Gostava dela porque sentia que ela gostava de mim, era como se nada mais importasse se ela estivesse ali. Mas não era sempre assim, ela visitava meu jardim, me deixava crente de que dessa vez era pra ficar e de repente, sumia. Visitava milhões de outros jardins e milhares de outras flores por ai, eu nunca reclamei e nem podia, não tinha esse direito, a borboleta não era minha por mais que eu a quisesse. Algumas vezes ela demorava mais a voltar, eu dizia e repetia infinitas vezes pra mim que não sentia mais sua falta, que não a queria mais. Quando estava quase me convencendo disso, la estava ela, pairando sobre minha janela me trazendo alegria, fixando um sorriso abobalhado em meu rosto. Ah borboleta, chega desse vai e vem, é demais pra mim. Um dia eu vou desistir dela, talvez não porque eu queira, mas porque será preciso seguir em frente, encontrar outras lagartas, outros casulos, outras borboletas. Cultivar outros jardins.